Héstia era uma Deusa Grega, filha de Cronos e Reia. Conectada com o lar, a família e a união. O seu nome pode ser traduzido por “passar pelo fogo”, purificar, transcender.

O fogo é o elemento desta Deusa, sendo que não havia uma imagem associada à mesma, era representada como uma chama viva que arde nos lares, nas cidades, nos templos e nos corações de todos. Fogo que vem das profundezas da Terra, que nutre e ilumina. O fogo que ficava acesso em todos os lares gregos, que simbolizava a luz, paz e proteção que deveria reinar em todas as casas.

Ao fundar uma cidade, o fogo de Héstia era acendido e consagrado à Deusa através de uma grande fogueira no local onde seria o ponto de encontro da população, este fogo servia para proteger todos os habitantes e deveria ser mantido e alimentado como forma de reverenciar esta Deusa. Todos os lares eram purificados com a sua presença e quando alguém partia para formar família, levava consigo um pouco do fogo da sua família de origem como forma de simbolizar a continuidade da família e a criação de um novo centro. Héstia representa assim o centro do lar, o centro da cidade, o centro da Terra que nos faz sentir em casa onde quer que estejamos, o centro presente no coração de todos nós.  Representa o aspeto da Mãe Terra que nos relembra que somos um só, parte de um grande centro, de uma só fogueira e que, por isso, devemos trabalhar em prol da evolução do todo com total amor e dedicação.

Héstia é descrita como uma Deusa virgem, que pode ser visto como uma analogia a algo que é intocável, impenetrável, indestrutível, algo imaculado que jamais irá perecer. O fogo desta Deusa leva-nos nessa jornada de volta a esse lugar, a essa parte de nós. Fala-nos do nosso santuário interior, do silêncio, da introspeção, da meditação, como forma de chegar à nossa verdadeira casa, ao nosso verdadeiro Eu, indo além do jogo de ilusão do ego.

Héstia faz-nos olhar para as nossas emoções mais fortes, faz-nos entrar no movimento espiral da vida, onde com coragem vamos além da nossa zona de conforto, mergulhando nos nossos medos mais profundos, e tal como uma fénix, rasgamos, destruímos, morremos e transmutamos, voltando à nossa realidade com uma maior consciência e verdade, mais próximos da nossa essência.

Para se conectar com esta Deusa, com esta energia, olhe de frente para as partes do seu ser que muitas vezes esconde e preferia que não existissem, permita que o fogo as ilumine e as traga para a luz, para que as possa vislumbrar e transformar. Sinta o calor do sol na sua pele, sinta o seu calor interno. Acenda uma fogueira e contemple a sua chama.

Héstia simboliza o arquétipo da mulher em busca da paz interior através da espiritualidade. Mulher que mergulha no seu ser em momentos de profundo recolhimento, meditação e introspeção como forma de ir de encontro à sua essência.

Mulher otimista, sensível e emotiva que valoriza o lar e a família, que cuida dos seus, embora possa viver sozinha sem se sentir minimamente desprotegida ou desamparada.

Tem uma natureza mais ermita e deve, por isso, tentar equilibrar este seu lado com momentos de convívio e partilha com os outros.

Quando uma mulher é regida por esta Deusa pode perder a noção do tempo, ficar completamente absorvida numa tarefa ou momento especial, pondo a mente racional de lado, mergulhando na mente subjetiva e criativa.

 

Permita que a sua chama divina se expresse em si, conecte-se com o fogo e com o seu poder transformador, entregue-lhe tudo aquilo que está pronto a morrer, para que possa renascer.

Prem Nandita

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