Aceitar-se si mesmo; é parar de brigar consigo próprio; de criar mais problemas para si mesmo;(pois todos os problemas que você já tem, já são o bastante).

Aceitação nada tem a ver com complacência; não tem a ver com preguiça ou com submissão “cega”. Aceitar-se a si mesmo é deixar de resistir ao que ” É” de forma humilde e com isso abrir espaço para que as lentes da nossa consciência fiquem “limpas” pois só assim, com a “visão clara” nós “artesãos da vida” poderemos tecer algo realmente novo, algo que representa a nossa total e real transformação.

A Aceitação parece tão difícil porque a nossa mente interpreta o ato de “aceitar” como uma barreira, uma forte barreira que pode impedir a verdadeira transformação.

“Se existe algo errado; algo de mal em mim, tenho que mudar a qualquer preço” e ao mesmo tempo “Tenho que mudar o mal no outro; o outro também tem que mudar”, essa ideia torna-se fortemente fixada e rígida no nosso inconsciente: (Tenho que forçosamente mudar a mim ou ao outro) pois só assim serei feliz – e essa NECESSIDADE é o ponto principal que obstrui toda e qualquer possível transformação; obstrui todo o processo de investigação do “Eu” que é o verdadeiro tratamento, o antídoto e o único remédio eficaz para “qualquer mal”.

 

Não podemos “melhorar’, não existe melhora; apenas crescimento, tomada de consciência e amadurecimento.

Quando a deceção emerge nos nossos relacionamentos, a nossa primeira reação é acusar, agredir e tentar a qualquer custo “Mudar ou Outro”. Tentamos a qualquer preço MUDAR o outro e esquecemo-nos que esse outro é um reflexo fiel de nós mesmos .

A maioria das pessoas acha muito difícil acreditar que o “problema do outro” seja na realidade a sua responsabilidade; pois a confusão entre responsabilidade e culpa é muito grande; existe muito medo deste reconhecimento e do reconhecimento de muitos outros conceitos falsos no nosso interior – lamentavelmente estes elementos desconectam-nos de nós mesmos e estes são os pilares que fazem da Aceitação e do Amor ao “EU” e ao “OUTRO” por consequência uma tarefa quase impossível.

O Amor é capaz de tudo, com o amor somos capazes de ultrapassar qualquer dor; qualquer barreira; qualquer limitação ou “mal” mas no fundo não acreditamos nisso.

Se conseguimos conquistar “o direito de nos amar” exatamente como somos no momento presente – “independente de todos os nosso pecados”; criamos uma forte conexão com a FONTE ; nossas forças latentes; anjos; guias : (como quer que chamemos) – nossa sabedoria interna estará ao nosso lado (Sempre),ajudando-nos em todo o processo de restauração e transformação; Mas se ao contrário se nos deixamos levar por sentimentos de vergonha e culpa, passamos a cultuar um desgosto progressivo por nós próprios, que evolui para raiva e esta fatalmente se voltará contra nós, criando certos sintomas, como por exemplo : um interesse inconsciente por tudo e todos que nos façam mal ( como castigo); pois afinal, dentro desta sequência, criamos um inimigo oculto silencioso e poderoso que será o verdadeiro autor dos círculos viciosos dos quais desejamos tanto nos livrar e dos quais projetamos nos outros .

Precisamos paradoxalmente pensar nas nossas dores e males como amigos; amigos que precisam da nossa ajuda; amigos que são prisioneiros da dor e da ignorância; amigos que precisamos acolher e ajudar a crescer. Acolher os nossos sintomas e “faltas”; na verdade é como estender as nossas mãos para ajudar antigos amigos que só através da nosso reconhecimento, ajuda e solidariedade poderão mover-se da escuridão para a luz. Esse é o verdadeiro sentido da aceitação.

Esse voto de amizade ao “Eu” é nosso maior trunfo, nossa maior conquista; a porta de entrada para nosso Jardim de Paz.

Erica Poonam

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