Se por onde andares, vires um Texugo, atenção! São animais duros de roer, de pele grossa e agressivos com garras afiadas. As suas presas rasgam em pedaços qualquer coisa que atravesse o seu caminho. Conectar com o arquétipo do Texugo é o agarrar da agressividade, é o agarrar da raiva e da vontade de lutar por aquilo que é importante na nossa vida. É não desistir e levar o que queremos até ao fim.

O Texugo alimenta-se de raízes, tem a sabedoria das ervas. Está relacionado com o primeiro chakra, que nos liga à terra e nos enraíza no corpo físico, de forma a podermos manifestar, avançar e singrar na vida.

No mundo de hoje, só de ouvir a palavra raiva algo primitivo desperta em nós, das entranhas revolvem-nos as vísceras. Pela dificuldade em lidarmos com partes nossas que vemos como forças indomável da natureza, cedo aprendemos, ou somos ensinados a controlar, a reprimir, a por em caixas.

A agressividade não é, no geral, vista com bons olhos, mas é uma força essencial para nos agarrarmos à vida. Faz parte de um sistema de luta ou fuga, que nos ajuda na sobrevivência, nos defende de quem nos quer mal, que nos ajuda a colocar limites e a defender o nosso território.

A raiva, se expressada sem culpa, é saudável, é uma força criativa que nos tira da cama de manhã. Se esta é vista como algo negativo, pode mesmo virar-se contra nós.

 

O que desperta em ti ouvir falar de raiva? Faz a ti mesmo as seguintes perguntas:

– Encontras-te apático? Tens energia para fazer o que necessitas?

– Levantas-te de manhã com garra para enfrentar a vida?

– Tens foco num objectivo e leva-lo até ao fim? Ou ficas pelo caminho, sem energia,inventando dúvidas e/ou desculpas esfarrapadas?

– Explodes quando menos esperas e levas tudo à frente, sem olhar a quem?

– – -> Bloqueias quando precisas defenderes-te, quando alguém te ameaça?

– – -> Sentes medo de te expores? O medo de arriscares errar?

– – -> Estás zangado com alguém, ou com as injustiças do mundo? Ou estarás tu a ser injusto?

– – -> Será que te comparas a fulano ou sicrano, quando vês que destemidamente se coloca na luta e na labuta atrás dos seus objectivos? Será que ele avança e tu não? Será rancor?

– – -> Será que alguém te tentou prejudicar? Ou tens raiva de lhe teres dado a oportunidade para o fazer?

– – -> Sentes-te desamparado?

– – -> Tens acidentes parvos? Cais ou cortas-te sem querer, ou vais de encontro a coisas?

– – -> Estás com raiva de ti mesmo?

 

 

Se respondeste sim a alguma destas perguntas, talvez precises de fazer as pazes com a tua raiva, precisas de conversar com o Texugo!

É preciso honrar a força de vida da raiva, pois ela ajuda-nos a lutar pelos nossos objectivos. É como uma força que nos agarra ao chão, que nos enraíza, que nos dá segurança para pisar e caminhar na direção das coisas.

É preciso a energia da raiva para que não sejamos levados a fazer o que não queremos, tipo capacho e pau-para-todo-o-serviço. Integrar a raiva como parte de nós, ajuda-nos a não nos afundarmos na apatia, sem forças para tomar decisões na vida.

Precisamos encontrar a fórmula onde expressamos a nossa raiva de forma saudável, sem culpa, sem desfazer tudo pelo caminho, direcionando-a ao serviço da nossa proteção pessoal, ao serviço da comunidade.

Trabalhar a raiva não é uma tarefa fácil. O arquétipo do Texugo tem muito para nos ensinar. A raiva, quando não integrada como garra de vida, é como uma panela de pressão, se a abrimos à pressa, sem honrar o que sentimos, sem um cuidado observar do que de verdade a motiva, pode explodir e transformar-se em fúria. Se não abrirmos a panela de pressão ela implode e vira-se contra ti e consome-te energia. Ou então pode esfriar-se, esfriar-te, tornar-te insensível, destilando essa amargura e azedume para o que te rodeia.

 

Para te enraizares com a energia da raiva é necessário ires ao que sentes. É preciso expressá-la um pouco de cada vez. Vê onde ela se encontra em ti, no teu corpo, e deixa-a sair um pouco, sem ser direcionada a ninguém.

O Texugo ajuda a encontrar formas de não reprimir a raiva, de não a voltar contra nós mesmos, nem contra ninguém. Ele avisa-nos das armadilhas da insegurança e da timidez, assim nos protege da raiva usada de forma viciada, para lutar contra o medo, pois o medo por vezes também nos paralisa e a inactividade provoca dor, impulsionando a raiva como uma força desenfreada.

Quem tem o Texugo como animal de poder, no seu TOTEM tem uma poderosa ajuda para não desistir, enquanto não chegar à raiz da questão. Afinal ele é o guardião da medicina das raízes. Este bichinho ajuda-nos a retirar as coisas que não dão fruto, a separar o trigo do joio, a fazer a poda, a ir fundo e isso ajuda a enraizar na nossa vida, com energia e foco.

Que o Texugo te ajude a encontrar a aliada que existe na agressividade e na raiva. Que te ajude a dizeres basta a quem te come as papas na cabeça! Ou a saíres do sofá e ires com diretriz, com garra, mantendo o olho no teu objectivo, no teu sonho.

E não desistas enquanto não chegares lá!

 

Ana Carvalho

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